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O Elvis não morreu, continua vivo e mora numa roulotte na Califórnia

O Elvis não morreu, continua vivo e mora numa roulotte na Califórnia, é um blog de música, de momentos, de memórias, de eventos, de acontecimentos, novidades e reportagem sobre música.

26
Nov15

Folhetim #3

Elvis

Permanecia imóvel no seu lugar, tentando avaliar todas as possibilidades. Não estava preparada para a profundidade das escolhas que tinha para fazer. A primeira duvida que lhe surgia era se queria mesmo saber quem era o rapaz que a beijou na carruagem. Sim, a resposta era sim. A assunção desse desejo, abria demasiadas perguntas, perguntas sem resposta. Quem é ele? O que faz? Terá sentido o mesmo que eu? Será que pensa em mim como eu penso nele? Qual será o nosso futuro? Será que me quer? Avaliar a resposta a estas perguntas e ás diferentes conjugações das mesmas, era tarefa impossível, pensava nos cenários mais pessimistas, mas também no cenário mais otimista, se ele sentiu, se tinham futuro, debate-se com a segunda duvida, mesmo que saia do avião, será que o encontro?

Por onde começo? E sim esta duvida era fundamental, não sabia por onde iniciar a sua pesquisa, poderia passar os dias a andar de metro, mas sem garantias de o encontrar e até o encontrar teria de enfrentar todos aqueles de quem quer fugir. O tempo urgia, a capacidade para decidir também, a inércia acabou por decidir por si. As portas do avião fecharam-se, o seu destino não iria passar pelo beijo do metro e por aquele rapaz que a encantou.

Eram 6 da manhã, quando João acordou. O quarto estava escuro e abafado, sentiu ao seu lado um vulto, não se lembrava de estar ali com alguém, aliás a ultima coisa que se lembrava era de estar num acalorado jantar académico com os colegas. Acendeu uma luz, ao seu lado um corpo despido de uma jovem da sua idade, não se lembra quem é, o único pensamento que lhe ocorreu foi “outra vez! Uma gaja nua na minha cama e eu não sei quem é”. Já quase que estava habituado aquele ritual, já não tinha conta às vezes que acordara acompanhado sem saber quem ela era. Consciência era coisa de que usava pouco, por isso pensou, "já que aqui estás, vou aproveitar um pouco mais o momento". Encostou-se a ela, o corpo dela respondeu ao calor dele, o tiro de partida para um início de manhã de sexo. 

O dia já tinha nascido, João sabia exatamente o que tinha de fazer para que ela partisse, olhou para o relógio eram 8:15, estava na hora de a fazer sair dali, olhou para ela e disse "vais-me desculpar, não há nada de errado contigo, és gira, bem feita e muito competente, mas podes-me relembrar o teu nome?", sabia que se lhe perguntasse o nome isso iria desencadear uma reação negativa. Ela respondeu: "o meu nome? Competente?!?" Levantou-se e começou a vestir-se, percebia agora que o rapaz giro, simpático, alegre e romântico que havia conhecido na noite anterior, que a tinha deslumbrado pela profundeza com que falava do amor, era apenas mais um rapaz como os outros, só a quis entrar nas suas cuecas e leva-la para a cama, o pior é que havia conseguido, estava desiludida consigo própria, não conseguiu evitar tudo aquilo que abomina. Acabou de se vestir, saiu sem dizer uma palavra. João sorriu, a missão tinha sido um sucesso, estava pronto para começar o dia.

 

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