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O Elvis não morreu, continua vivo e mora numa roulotte na Califórnia

O Elvis não morreu, continua vivo e mora numa roulotte na Califórnia, é um blog de música, de momentos, de memórias, de eventos, de acontecimentos, novidades e reportagem sobre música.

03
Dez15

as palavras todas

Elvis

Genericamente acho que as pessoas têm medo de usar as palavras. Não é por mal, é uma autodefesa, ou porque se sentem embaraçadas de as usar. Tendem a aligeirar, procurando termos mais inócuos, ou menos gráficos. Eu não. Eu gosto de usar as palavras todas, para o bem ou para o mal, mais gráfico ou menos gráfico, mais embaraçoso ou menos embaraçoso, não gosto que fiquem dúvidas sobre o que digo. Isto por vezes trás-me alguns inconvenientes, digo coisas que são interpretadas como monstruosidades, pelo simples facto de as dizer com as palavras todas.

É claro que as posso dizer de outra maneira, isso é óbvio, mas as coisas não deixam de ser o que são, apenas por uma alteração de semântica, ou um incremento da retórica. Por exemplo os políticos são especialista nisto, se ouvirmos um ministro dizer, "a pressão internacional sobre a economia doméstica, irá obrigar a uma revisão da política fiscal com um agravamento para os contribuintes", eu diria simplesmente "vamos pagar mais impostos" é simples, não é preciso complicar. Outro bom exemplo é em relação ao sexo, há pessoas que só fazem amor, eu também o faço, mas também pino, fodo, como, sou comido. Não percebo nem compreendo a contenção nas palavras para descrever o ato sexual, aliás porque, esse sentido romântico de fazer amor, é redutor para tudo o que se passa nesses momentos. Diria que fazer amor é uma expressão que pode descrever gestos de amor que estão muito além de uma relação sexual. Não compreendo o pudor, não percebo sequer por que há pessoas que não assumem o que fazem até porque todos as pessoas nalgumas ocasiões fodem forte e feio, noutras  pinam, noutras dão uma rapidinha, noutras dão uma queca (expressão que por acaso não aprecio), noutras fazem amor, mas overall só fazem amor!?! Claro que a intimidade com o nosso interlocutor, determina o grau de detalhe que queremos passar. Se ligar isto ao tema da intimidade, não vejo como na verdadeira intimidade, possa haver este tipo de pudor. O mesmo racional aplica-se também aos sentimentos, entre e sobre pessoas e coisas. Quantas pessoas amam alguém e não dizem com as palavras todas "eu amo-te"? Quantas pessoas ficam tristes por uma atitude e dizem "não foi nada?". As palavras são para usar, é para isso que elas existem, para tentarmos dentro do léxico encontrar as que melhor descrevem o que sentimos. Já basta as vezes que gostávamos de encontrar as palavras certas para transmitir fielmente o que sentimos, mas não conseguimos, por isso naquilo que conseguimos definir com clareza, devemos fazê-lo, sem retórica. É óbvio que há filtros, óbvio que por vezes temos de os usar, mas apenas quando a intimidade não nos permite sermos diretos naquilo que pretendemos transmitir. Lá por casa, usamos as palavras todas, cada vez mais e com mais afinco! Amo-te! 

Lembrei-me desta música (ontem), do Porto, do primavera sound de 2014, de nós e da falta de palavras para o descrever. 

Playlist Janeiro 2016

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